Aracaju, 31 de março de 2025
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Bruxismo: dentista explica como o ato de ranger os dentes pode afetar a saúde

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Embora não exista uma cura definitiva, tratamentos garantem maior qualidade de vida para quem sofre da condição

O ranger ou apertar dos dentes de forma involuntária parece inofensivo à primeira vista, mas pode trazer sérias consequências para a saúde. Essa condição é conhecida como bruxismo, um distúrbio caracterizado por movimentos estereotipados e periódicos dos músculos mastigatórios. Estima-se que 15% da população mundial sofra de bruxismo do sono, com maior prevalência entre mulheres (65%) na vida adulta.

O cirurgião-dentista Romário Mendes Miranda, professor e coordenador do curso de Odontologia da Faculdade Ages de Irecê, instituição pertencente ao Ecossistema Ânima, e mestre em Patologia Investigativa, explica que a condição ocorre tanto durante o sono (bruxismo noturno) quanto ao longo do dia (bruxismo diurno). “Estudos indicam que o bruxismo noturno está relacionado a micro despertares – períodos curtos de atividade cerebral que duram de 3 a 15 segundos – e pode afetar a qualidade do sono do paciente”, informou.

O bruxismo pode ter origem primária, quando não há uma causa definida, ou secundária, quando está associado a outros fatores, como transtornos neurológicos, psicológicos e até mesmo ao uso de substâncias químicas. Como sua origem ainda não é totalmente compreendida, ainda não existe um tratamento específico que leve à cura.

“A relação entre bruxismo e fatores psicológicos, como estresse e ansiedade, já foi documentada, mas ainda há divergências sobre sua real influência. Segundo estudos, a intensidade do bruxismo não está diretamente ligada ao estresse autorreferido, depressão  ou dores relacionadas à Disfunção Temporomandibular (DTM). No entanto, sintomas específicos de transtornos de ansiedade podem estar associados ao desenvolvimento do distúrbio”, explicou o cirurgião-dentista.

A prevalência do bruxismo é maior em crianças e adolescentes do que em adultos. Dados indicam que 17% das crianças apresentam o distúrbio, enquanto entre adultos, esse número cai para 8%. Até o momento, não há diferenças significativas entre gêneros.

“O diagnóstico do bruxismo é clínico, ou seja, baseado na observação de sinais e sintomas pelo dentista. Os principais indícios são desgaste dentário, dores na mandíbula e relatos de ranger os dentes durante o sono. Em alguns casos, exames como a polissonografia podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico, especialmente quando há suspeita de bruxismo noturno”, pontuou.

Embora não exista uma cura definitiva, alguns tratamentos ajudam a controlar o bruxismo e reduzir seus impactos. “O tratamento envolve o uso de placas miorrelaxantes para proteger os dentes, além de terapias para redução do estresse, como fisioterapia, meditação e ioga. Em alguns casos, podemos indicar medicamentos relaxantes musculares ou até a aplicação de toxina botulínica. Melhorar a qualidade do sono e evitar substâncias como cafeína e álcool também são medidas importantes para reduzir o problema”, finaliza o dentista, reforçando que para evitar que o bruxismo piore ao longo do tempo, é fundamental procurar um dentista assim que surgirem os primeiros sinais. O tratamento precoce pode prevenir complicações e garantir mais qualidade de vida.

Texto e foto Grecy Andrade

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